CRISE de valores

CRISE de valores

Dias atrás, assistindo a uma partida de futebol da seleção brasileira, deparei-me com a seguinte situação, durante a execução do hino nacional, com raras exceções, a maioria só mexia a boca disfarçando não saber a letra. Passei a observar também que em alguns dos eventos que tenho ido e que contempla a execução do hino a situação se repete.

Fiquei, então, me perguntando o que houve com o aprendizado do hino nacional? Questionando à alguns jovens sobre o ensino do hino nas escolas, fui informado, não sem espanto deles que não havia.

A partir daí abri o leque e me pus a lembrar que andando de metrô em São Paulo recentemente, havia um jovem sentado e uma senhora idosa ao seu lado e o mesmo não ofereceu o lugar a ela. Claro que ele estava bem ligado na tela de seu celular, mas houve momentos que ele a percebeu e fez que não. O que me chama a atenção é que essa era uma prática muito comum até bem pouco tempo, ficávamos realmente incomodados em estarmos sentados e alguma pessoa idosa ou uma gestante em pé.

Quando foi que isso foi se perdendo? Questões relativas à educação familiar? E as escolas? Estão preocupadas com a formação de cidadãos?

Lembro-me que na década de 70, quando estava no ensino fundamental, no Colégio Estadual Pedro Macedo, toda sexta feira, havia o hasteamento da bandeira nacional, com o perfilamento dos alunos por turmas e era cantado o hino antes de entrar-se em sala de aula. Corrigíamos uns aos outros e cada vez mais evitávamos errar para não sermos motivo de chacota na hora do recreio.

O espírito cívico tem que ser fomentado diariamente para não nos tornarmos ventríloquos durante a execução do hino à Pátria. Mais que isso, começando-se por aí, têm-se uma base para mudanças das gerações futuras em valores que nos tragam novamente como questões primeiras, probidade, respeito ao próximo, civismo, etc…

Essa crise de reverência e respeito têm-nos levado a uma degeneração de valores éticos que dificulta a cada dia um melhor convívio social, num estranho paradoxo de super desenvolvimento tecnológico contrastado com um retrocesso de valores básicos.

Longe de saudosismo, é em verdade uma constatação e um alerta para que possamos aos poucos reassumirmos compromissos que nos permitam melhorar a formação de nossos jovens.

Dr. Edmilson Fabbri
Para o Jornal Universidade Ciência e Fé
(http://www.cienciaefe.org.br/) em OUTUBRO/2015
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