Dia desses li um artigo sobre a diversidade que nos constitui, mas que, porém, passamos a vida nos rebelando contra ela. A diferença atrai, dizia o artigo, mas em geral o que prevalece é o incomodo que causa, a ponto de, em muitos casos, suscitar o ódio e, concluía com o registro de que, em 3 mil anos de civilização são registrados apenas 500 anos não contínuos de paz.
Parei diante disso e pus-me a pensar sobre aspectos do cotidiano. Sexualidade, raça, religião, futebol e política. Quantos elementos de nossa vida diária que convivemos e nos deixamos incomodar. É mesmo importante se alguém não torce para o mesmo time que o nosso? E se todos torcêssemos para o mesmo time, o futebol seria a paixão que é? Que graça teria? De quem tiraríamos sarro? Que coisa chata seria isso! Por que então não toleramos a presença do outro com a camisa do clube que não é o nosso? Por que temos que agredi-lo, chegando ao cúmulo de matá-lo em algumas circunstâncias já vistas pela televisão?
Por que pessoas do mesmo sexo andando de mãos dadas pela rua ainda nos causam um olhar fortuito, quando não escandalizado?
E os que professam religião ou crença diferente das nossas convicções, porque nos parecem tão perdidos e desorientados sobre a verdade que nos conduz? Que certeza é essa que nos coloca acima deles, e que a cada discussão tentamos arrebanhá- los como se perdidos estivessem?
Por quê o branco é melhor ou mais bonito que o preto? O que a natureza quer nos dizer com a diversidade das cores? Se a diferença racial pela cor nos incomoda tanto, me explica então cara pálida, porque nos dedicamos tanto no verão à exposição solar, na maioria das vezes exagerada, conforme comprovam os dermatologistas, para atingirmos aquele bronzeado que muda nosso branco escritório para um preto jambo? Mulheres, via de regra, dizem que nada como um vestido “pretinho básico” que lhes cai bem com tudo. Por que, então, uma pele “pretinha básica” em uma pessoa não lhe cai bem? Por quê temos dificuldades com cores diferentes da nossa pele?
E na política? Santo Deus o que estamos vivendo!! Nós contra eles, ouvi um ex-presidente conclamar. O que esperasse de um ex-presidente? Que no mínimo o tempo de sua governança, quando não de dois governos pela reeleição conseguida, traga-lhe um pingo de sabedoria para que possa continuar ajudando o país. Os índios esses selvícolas, analfabetos que vivem em tribos preservando a natureza (bons tempos) criam conselhos de anciões para aproveitar sua sabedoria nas questões mais importantes. Na lógica deles o tempo e a experiência lhes trazem sabedoria. Ah! esses índios! E nós? Nós? Nós contra eles, propôs um de nossos anciões. Francamente!
Estamos, infelizmente, em um momento de extrema delicadeza na política, que exigirá da nação uma sapiência, que espero tenhamos. Há de haver uma luz que nos permita o exercício da tolerância, para que avancemos em busca de dias melhores. Não será fácil, mas é possível. A palavra chave neste caso, como em tudo na vida, é a tolerância. Só assim poderemos suprimir um sentimento que se associa à sua falta que é o ódio. Este sim, caros amigos, um sentimento avassalador que nos deixa irracionais.
Freud nos diz que o ódio é mais antigo que o amor e que os dois não se acham numa relação simples de contraposição. Tomemos pois, cuidado com nossas paixões, pois quase sempre elas nos cegam e nos tornam intolerantes. Fiquemos com essa afirmação lapidar da maçonaria “O que viemos fazer neste mundo? Vencer nossas paixões”, ou seja sermos tolerantes.
Dr. Edmilson Fabbri Para o Jornal Universidade Ciência e Fé (http://www.cienciaefe.org.br/) em Março/2015
